Aquecimento Global
Aquecimento Global
O aquecimento global é o aumento da temperatura terrestre (não só numa zona específica, mas em todo o planeta) e tem preocupado a comunidade científica cada vez mais. Acredita-se que seja devido ao uso de combustíveis fósseis e outros processos em nível industrial, que levam à acumulação na atmosfera de gases propícios ao Efeito Estufa, tais como o Dióxido de Carbono, o Metano, o Óxido de Azoto e os CFCs. Na realidade, desde 1850 temos assistido a um aumento gradual da temperatura global, algo que pode também ser causado pela flutuação natural desta grandeza. Tais flutuações têm ocorrido naturalmente durante várias dezenas de milhões de anos ou, por vezes, mais bruscamente, em décadas. Estes fenômenos naturais bastante complexos e imprevisíveis podem ser a explicação para as alterações climáticas que a Terra tem sofrido, mas também é possível e mais provável que estas mudanças estejam sendo provocadas pelo aumento do Efeito Estufa, devido basicamente à atividade humana.
O aquecimento global, caso não seja controlado, também poderá levar a uma extinção em massa de ecossistemas e espécies, incluindo desde sapos a leopardos. E quanto mais rápido a temperatura subir, pior a mortandade, alertam os cientistas, pois animais e plantas não terão tempo suficiente para se adaptarem. Steve Schneider, da Universidade de Stanford, disse haver evidências claras de que as espécies já estão reagindo ao aquecimento de 0,7 ºC registrado ao longo dos últimos cem anos. "Isso é o primeiro alerta", disse o pesquisador. "Há uma ameaça direta à sobrevivência de muitas espécies." Com o colapso dos ecossistemas mais frágeis, alertam os cientistas, muitas não terão para onde fugir. Uma mudança de 2 ºC já colocaria muitos organismos em perigo.
A calota de gelo ocidental da Antártida está derretendo a uma velocidade de 250 km cúbicos por ano, elevando o nível dos oceanos em 0,2 milímetro a cada 12 meses, alertou o British Antartic Survey (BAS), sediado em Cambridge, no Reino Unido. O degelo desta calota pode fazer os oceanos subirem até 4,9 metros, cobrindo vastas áreas litorâneas pelo mundo e ilhas inteiras, segundo relatório apresentado na conferência internacional sobre mudanças climáticas. Chris Rapley, diretor do BAS, lembrou em sua apresentação que a calota ocidental era considerada estável até agora. Há quatro anos, no último relatório das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, a Antártida era apresentada como "um gigante adormecido" em relação ao clima, e que não degelaria antes de 2100. "Mas eu diria que o gigante despertou e estamos muito preocupados", afirmou Rapley. Os cientistas britânicos detectaram o rápido degelo no Mar de Amundsen a partir de três zonas distintas. O Reino Unido é um dos pontos do planeta mais ameaçados por uma eventual elevação dos níveis dos oceanos. o degelo nas regiões próximas aos pólos e a elevação do nível dos oceanos a um quinto de milímetro por ano tende a fazer submergirem cidades costeiras como Nova York. A elevação das temperaturas médias do planeta, prevista para alcançar pelo menos 3ºC, começa a ter efeitos sobre a Corrente do Golfo, que leva águas quentes dos trópicos para o Reino Unido e norte da Europa. Segundo dados, já passa de 50% o risco de esta corrente ser extinta nos próximos 200 anos por causa do acúmulo de água doce e fria nos oceanos - proveniente do degelo das calotas polares. "Isso é o que eu chamo de mudança climática perigosa", disse Mike Schlesinger, do Grupo de Pesquisas Climáticas da Universidade de Illinois. A corrente atualmente leva 1 bilhão de watts de calor dos trópicos para a costa britânica e a região do Ártico. Sem essa fonte de energia, a Grã-Bretanha sofreria uma queda de temperatura significativa, apesar da tendência global de aquecimento. Os cientistas acreditam que ela já esteja perdendo 10% de sua força, mas a possibilidade de um colapso total era considerada remota até agora.
Os estudos sobre mudanças climáticas apresentados nesta semana na Conferência de Exeter, no Reino Unido, revelam que o aquecimento global pode expulsar milhões de pessoas de diversas áreas do planeta e reduzir a produtividade da agricultura. Os cientistas apelam, no comunicado, para que os governantes e técnicos de todos os países adotem medidas urgentes para conter o aquecimento global e reduzir os efeitos das mudanças climáticas que já começam a se desenhar, com efeitos catastróficos para o homem e inúmeras espécies animais e vegetais.
A ministra britânica do Meio Ambiente, Margaret Beckett afirma que não há mais dúvidas de que "as temperaturas continuarão aumentando" e que maiores alterações no clima são quase inevitáveis.
A representante do governo britânico defendeu uma "mudança radical" internacional para impedir que o efeito estufa tome proporções devastadoras. "Temos de agir agora para tentar limitar o alcance do efeito estufa no futuro", disse ela. Assumiu oficialmente a previsão de que a temperatura da Terra deve aumentar entre 1,5 e 6 graus centígrados neste século, e que ondas de calor como a que atingiu a Europa em 2003 podem ser mais freqüentes. A diretora do Programa de Previsão do Clima do Centro Hadley de Exeter, Vicky Pope, disse que os gases de efeito estufa que se acumulam na atmosfera terão conseqüências maiores sobre o clima em 30 ou 40 anos. O ambientalistas do Friends of the Earth fizeram um protesto em frente ao edifício para pressionar o governo britânico a promover uma redução dos gases de efeito estufa. Eles aprovam o empenho do governo de Tony Blair em liderar os países ricos em medidas ambientais, mas criticaram a falta de iniciativas em seu próprio território.
O governo dos Estados Unidos admitiu que a poluição produzida pelo homem é a responsável pelo aquecimento global e tem grave impacto sobre o meio-ambiente. Mas a administração do presidente George W. Bush afirma que ainda não vê necessidade de assinar o protocolo de Kyoto, um tratado internacional contra o aquecimento global que o governo americano rejeitou no ano passado. O protocolo internacional forçaria os Estados Unidos a reduzir a produção de gases que provocam o efeito estufa e o governo Bush alega que assinar o documento pode prejudicar a economia americana. preferindo tomar "medidas próprias" para controlar a emissão de gases poluentes. Essas medidas, segundo o relatório, "devem conseguir uma redução comparável à redução média prevista pelo acordo de Kyoto, mas sem as ameaças ao crescimento econômico que limites rígidos de emissão poderiam trazer." O aquecimento global deve continuar – prevendo que a emissão total de gases nos Estados Unidos aumente cerca de 43% entre 2000 e 2020. Os Estados Unidos são os maiores emissores do mundo de gases que provocam o efeito estufa.
Mas qual seria sua última mensagem se o mundo fosse acabar amanhã? "No more Bush" [chega de Bush], disparou o diretor alemão Roland Emmerich, referindo-se ao atual presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. A irônica e afiada resposta do cineasta de "Independence Day" (96) e "Godzilla" (98) revela seu estado de espírito político, mas também inspira seu novo filme, "O Dia Depois de Amanhã". Emmerich volta à carga com um filme-catástrofe, sustentada numa trama de destruição do planeta causada por graves alterações climáticas. No filme, o aquecimento global deflagra o degelo das calotas polares, mudanças nos fluxos das correntes marítimas e uma série repentina de manifestações meteorológicas anormais, prenúncios de uma nova era glacial. As alterações do clima provocam, por meio da utilização de numerosos e espetaculares efeitos especiais, intensas nevascas em Nova Déli, descomunais chuvas de granizos em Tóquio, devastadores tornados em Los Angeles e uma gigantesca onda sobre Nova York. O climatologista Jack Hall (Dennis Quaid), que tenta alertar as autoridades mundiais para os riscos do aquecimento da Terra, se lança numa operação suicida de salvamento de seu filho, Sam (Jake Gyllenhaal), encurralado numa Nova York congelada.
A maior tragédia climática atinge o hemisfério Norte, e os americanos correm em fuga desesperada rumo ao Sul, ainda resguardado por temperaturas mais clementes. Numa curiosa e surrealista cena, os refugiados são barrados pelo governo do México, que manda fechar suas fronteiras com os EUA para evitar a descontrolada invasão. Enquanto cidadãos americanos tentam atravessar ilegalmente o Rio Grande, os governos chegam a um acordo, graças ao perdão da Casa Branca à dívida externa dos países latinos. O diretor Roland Emmerich diz ter realizado um filme que ataca a política ambiental da atual administração Bush. "O governo americano não apenas nega que o aquecimento global exista, mas também que seja de responsabilidade humana. Ele informa o povo americano sobre o que está ocorrendo no Iraque da mesma maneira que informa sobre o aquecimento do planeta", afirmou. Além das controvérsias políticas, o filme proporcionou também polêmicas científicas. Cientistas e especialistas da Nasa, a agência espacial americana, desmentem que o aquecimento da Terra possa causar uma nova Idade do Gelo, como sugere o filme. "Cientistas mudam toda hora de opinião, como políticos. Mas é bom que as pessoas estejam discutindo isso. E mesmo que o aquecimento global não provoque uma nova Idade do Gelo, certamente provocará uma série de estragos", rebateu Emmerich. O diretor defende a questão ambiental como um problema humano, e não político. "Às vezes penso que já é tarde para que se possa fazer algo."
Jocasta

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